Igreja de Deus

Os dois bodes da expiação

OS DOIS BODES

Texto Básico

Levítico 16:1-10

Verso Áureo

"Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Isaías 53:5)

OBJETIVO DA LIÇÃO

Estudar o significado dos dois bodes apresentados no Dia da Expiação e compreender o que eles representam no plano da redenção.

INTRODUÇÃO

A interpretação equivocada de determinadas passagens das Escrituras tem sido a causa de muitos enganos religiosos. Embora, por algum tempo, nada pareça acontecer, o erro inevitavelmente produzirá consequências.

Por isso, não devemos esperar até o fim para descobrir se uma doutrina está correta ou não. Se existe a possibilidade de erro, devemos examiná-la à luz das Escrituras enquanto ainda há tempo.

Algumas correntes sabatistas defendem que um dos dois bodes do Dia da Expiação representa Satanás. Será isso verdade? O que realmente representam os dois bodes mencionados em Levítico 16?

QUESTIONÁRIO

1. Que modelo foi dado a Moisés para a construção do santuário?

Moisés recebeu a ordem de construir o santuário conforme o modelo que lhe foi mostrado no monte.

Embora existam semelhanças entre o santuário terrestre e o celestial, a Bíblia não afirma que ambos eram exatamente iguais nem que seus serviços fossem idênticos.

Referências: Êxodo 25:9,40; Êxodo 26:30; Atos 7:44; Hebreus 9:24-25; Hebreus 10:1.

2. Quantos compartimentos possuía o santuário e por que eram separados por um véu?

O tabernáculo era composto por dois compartimentos:

Santo Lugar

Local onde os sacerdotes ministravam diariamente.

Santo dos Santos

Local onde estava a arca da aliança e onde se manifestava a presença divina.

Somente o sumo sacerdote podia entrar no Santíssimo, uma vez por ano, no Dia da Expiação.

O véu (katapetasma) separava os dois compartimentos.

Segundo esta interpretação, a existência de um local mais santo que o outro e de acesso restrito estava relacionada ao fato de que os serviços eram realizados por homens falíveis.

Referências: Levítico 16:2; Hebreus 9:7.

3. O que acontecia no décimo dia do sétimo mês?

Nesse dia ocorria a purificação do santuário.

Durante o ano, os pecados do povo eram simbolicamente transferidos para o santuário através dos sacrifícios.

Uma vez por ano, o sumo sacerdote realizava uma cerimônia especial para purificar o santuário de todas essas impurezas cerimoniais.

Antes disso, ele precisava purificar-se a si mesmo.

Referências: Levítico 16:6; Hebreus 9:7.

4. Como era realizada a cerimônia de purificação?

Além dos sacrifícios de um novilho e um carneiro, eram separados dois bodes para a expiação do pecado.

Por sorteio, determinava-se a função de cada um:

  • Um bode seria sacrificado;

  • O outro serviria como bode emissário.

O sangue do primeiro bode era levado ao Santo dos Santos e aspergido sobre o propiciatório.

Após isso, o segundo bode era apresentado vivo diante do Senhor.

Sobre sua cabeça eram confessados os pecados do povo, e ele era conduzido ao deserto, levando simbolicamente as iniquidades para fora do arraial.

Somente após esse processo a cerimônia da expiação era considerada concluída.

Referência: Levítico 16.

5. O bode emissário pode representar Satanás?

Segundo a interpretação apresentada neste estudo, não.

Levítico 16:5 e 10 afirma que ambos os bodes participavam da expiação pelo pecado:

"Tomará dois bodes para oferta pelo pecado..."

E ainda:

"...para fazer expiação com ele..."

O argumento apresentado é que, se ambos os bodes faziam parte do processo expiatório, não seria correto identificar um deles como Satanás.

Essa interpretação entende que atribuir ao bode emissário a figura de Satanás implicaria atribuir ao inimigo participação na obra da redenção, algo incompatível com o ensino bíblico de que Cristo é o único Salvador.

6. Levítico 16:20 prova que a expiação terminou antes da apresentação do bode vivo?

O texto declara:

"Havendo acabado de expiar o santuário, a tenda da congregação e o altar, fará chegar o bode vivo."

Segundo esta compreensão, isso não significa que toda a obra estivesse encerrada.

O ritual incluía duas etapas:

  1. A purificação do santuário;

  2. A remoção dos pecados para fora do arraial.

O bode emissário fazia parte do mesmo processo expiatório, pois carregava simbolicamente os pecados confessados sobre ele.

Assim, a cerimônia somente se completava quando os pecados eram removidos.

Referências: Levítico 16:5,10,22.

7. Quem os dois bodes representam?

Segundo esta interpretação, ambos apontam para Cristo.

Jesus é o único que tira o pecado do mundo.

O primeiro bode representa Cristo em Seu sacrifício.

O segundo representa Cristo levando sobre Si os pecados do povo e removendo-os completamente.

O Senhor realizou ambas as funções:

  • Morreu pelos pecados da humanidade;

  • Levou sobre Si nossas iniquidades.

No antigo pacto, os sacrifícios não podiam ser realizados fora do tabernáculo.

Por isso, dois animais eram necessários para ilustrar aspectos distintos da mesma obra redentora.

Referências: Isaías 53:4-12; Hebreus 13:11-12; Levítico 17:8-9.

8. Quem é Azazel?

Levítico 16 afirma:

"Quanto ao bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel..."

A expressão não identifica o bode como sendo Azazel.

O texto diz que o bode seria enviado a Azazel.

A versão da Bíblia de Jerusalém e algumas tradições antigas entendem Azazel como um ser associado ao deserto.

A nota explicativa dessa tradução afirma:

"O bode expiatório não é sacrificado a Azazel, mas leva para o deserto, morada deste demônio, as faltas do povo."

Segundo esta interpretação, Azazel não é o bode emissário, mas o destino simbólico para onde os pecados eram levados.

MEDITAÇÃO

Sem Mancha e Sem Defeito

Os animais oferecidos a Deus deveriam ser sem defeito e sem mancha.

Diante disso, o estudo apresenta a seguinte reflexão:

Se um dos dois bodes representasse Satanás, como poderia ele ser simbolizado por um animal que precisava ser perfeito diante de Deus?

Essa questão é apresentada como um dos argumentos para sustentar que ambos os bodes apontam para a obra redentora de Cristo.

Resumo

O Dia da Expiação era o ponto culminante dos serviços do santuário israelita.

Segundo a interpretação apresentada neste estudo, os dois bodes não representam forças opostas, mas aspectos complementares da mesma obra salvadora realizada por Jesus Cristo.

Um bode aponta para Seu sacrifício expiatório; o outro simboliza a remoção definitiva dos pecados.

Assim, toda a expiação é atribuída exclusivamente a Cristo, que morreu por nossos pecados e os levou para longe de nós, realizando uma redenção perfeita e completa.

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