Igreja de Deus

SISTEMA BÍBLICO DE ADMINISTRAÇÃO

O sistema de governo da Igreja de Deus, biblicamente, é e sempre foi autônomo; mas, mesmo assim, pessoas criam meios encobertos para enganar, mantendo um governo centralizado, formando uma hierarquia dentro do ministério para iludir pessoas de pouco conhecimento ou que não são sinceras aos escritos sagrados.

Esses falsos obreiros vivem a serviço do paganismo. Dizem defender a verdade, porém não têm autoridade nem respaldo bíblico para defender tal ensinamento.

A verdade é que muitos nas igrejas querem ser mais um Diótrefes:

“Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de ter entre eles a primazia, não nos recebe.” (III Jo 9)

Esse tipo de pessoa só quer tomar o lugar de Jesus. Na verdade, são eles os falsos cristos, sendo os cabeças de suas próprias igrejas.

“Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos.” (Mc 13:22)

“Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo.” (II Co 11:13)

A Bíblia afirma que, na verdadeira Igreja de Deus, esta função pertence somente ao Senhor Jesus e a mais ninguém:

“E sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja, que é o seu corpo, o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas.” (Ef 1:22,23)

“Também ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência... Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja.” (Cl 1:18,24)

Muitos até usam erradamente Atos capítulo 15 para defender um sistema de governo centralizado e semi-centralizado.

Atos capítulo 15 fala mesmo de uma centralização ou semi-centralização?

A resposta é NÃO. Basta analisarmos o contexto e veremos que não contraria o estudo que apresentaremos a seguir.

O capítulo 15 de Atos dos Apóstolos fala de divergências doutrinárias entre evangelistas da Judeia. A questão era de ensinamento errado que alguns estavam passando para pessoas de outras cidades, principalmente aos gentios, e eles precisavam de esclarecimentos.

Com as doutrinas não havia nada de errado, pois foram estabelecidas por Deus, ensinadas por Jesus e pelos apóstolos. O problema estava por parte de alguns de Jerusalém. Por isso, em uma assembleia na cidade de Jerusalém, os anciãos tomaram conhecimento da situação e corrigiram o erro.

Então resolveram a questão e decidiram enviar cartas a outras localidades para reparar o erro cometido por membros daquele local.

Naquela reunião de Atos 15, não criaram nenhum tipo de organização para governar igrejas locais.

Infelizmente, alguns buscam desesperadamente apoio em Atos 15 para alimentar essa ideia e manter um governo centralizado ou parcialmente centralizado. Dizem que, se alguém não estiver ligado a esta ou àquela organização ou sigla, está cortado dos planos de salvação.

O que espera os tais fundadores e seguidores, caso não se arrependam, é o Juízo Final. (Ap 20:11-15)

Porque estes são os falsos cristos:

“Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:24)

Enganadores:

“Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.” (II Tm 3:13)

Que acrescentam às Escrituras:

“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.” (Mt 5:19)

“Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, que estão descritas neste livro.” (Ap 22:18,19)

Porém, muito pelo contrário, este texto nos fortalece na fé. Por quê?

O livro de Atos, capítulo 15, mostra perfeitamente que nenhum obreiro pode interferir em outras localidades nas quais ele não é obreiro ou para as quais não foi chamado.

As formas de governo destacadas no paganismo

Episcopal, Oligárquico e Monárquico Centralizado

Segundo a Enciclopédia Barsa, é o modelo de Roma, no qual há um chefe supremo que decide por todas as igrejas. Alguns até dizem ser o sucessor de Jesus, e muitos ainda seguem estes sistemas hoje.

Ambos têm vínculo com Roma e são considerados sinal da besta.

Qual é o sistema bíblico de governo? E como funciona?

É o sistema congregacional = autonomia de governo local.

Foi ensinado por Jesus e praticado por seus discípulos. As igrejas são livres nas questões administrativas e na orientação espiritual, porém possuem vínculo doutrinário.

É assim que viviam as igrejas biblicamente. A autoridade de um pastor não ultrapassava sua cidade, e eles não interferiam nos trabalhos uns dos outros. (I Pe 5:1-4; At 14:23; 20:28)

Exemplos de igrejas locais no Novo Testamento

  • Em Antioquia da Síria. (At 13:1)

  • Em Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia. (At 14:21-23)

  • A igreja em Éfeso. (At 20:17)

  • Em Corinto. (I Co 1:1; II Co 1:1)

  • As igrejas da Galácia. (Gl 1:2,22)

  • A igreja dos tessalonicenses. (I Ts 1:1; II Ts 1:1)

  • As igrejas dos laodicenses. (Cl 4:16)

  • A igreja de Jerusalém. (At 8:1; 11:22; 15:4)

  • As igrejas da Ásia. (I Co 16:19)

  • As igrejas da Macedônia. (II Co 11:9)

E as sete igrejas da Ásia receberam cartas individualmente, porque eram igrejas de Deus autônomas, independentes de sede ou organização mundial, nacional ou regional.

As sete igrejas estavam na mesma região, e foi enviada uma carta para cada uma delas. Cada igreja tinha seu dirigente e diferentes problemas. (Ap 1:4,11; ler capítulos 1, 2 e 3)

Se o sistema fosse centralizado ou houvesse uma organização para governar ou administrar outras localidades, não teria sido enviada uma carta individual; teria sido enviada à suposta sede.

Também o apóstolo Paulo, que pediu ajuda a outras localidades, se realmente o sistema fosse centralizado e com sede em Jerusalém, pediria de lá ou da suposta organização.

Também enviaria obreiros de Jerusalém para as igrejas de outras localidades e não teria ordenado que, de cidade em cidade, fossem estabelecidos presbíteros.

“E, havendo-lhes feito eleger anciãos em cada igreja e orado com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” (At 14:23)

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem o que ainda não o está, e que em cada cidade estabelecesses anciãos, como já te mandei; alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, tendo filhos crentes que não sejam acusados de dissolução, nem sejam desobedientes. Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância.” (Tt 1:5-7)

Paulo evidentemente não era conhecido de vista por muitos obreiros, porque eram homens fiéis aos ensinamentos recebidos e zelosos da Palavra de Deus. (Gl 1:18-24)

A hierarquia no ministério bíblico

Na hierarquia do ministério bíblico existe um só cabeça, que é Jesus. Por isso, não pode existir na verdadeira Igreja de Deus doutrina pagã como um único homem líder de todos. Na verdade, isso é um dogma papal.

Por volta do ano 400 d.C., o papa Inocêncio I, dizendo ser o governante da igreja, exigia que todas as controvérsias fossem levadas a ele. Embora Tertuliano tenha acusado o bispo Calixto de querer ser “o bispo dos bispos”, no ano 208 d.C., começou a hierarquia ministerial.

No ministério de Jesus não pode haver maioral. (Mt 20:20-28; Mc 9:33-35; Lc 22:24-27)

Jesus é o único cabeça. (Ef 1:22,23; Cl 1:18,24)

Ele é quem governa todas as igrejas e continua preservando a fé que uma vez foi entregue aos santos. Ele é também o Sumo Pastor e Sumo Sacerdote, o único líder que supervisiona todas as igrejas, porque elas lhe pertencem. (Hb 3:1-6; 6:20; 8:1,2; I Pe 5:1-4)

E passeia no meio delas. (Ap 2:1)

É preciso estar filiado a uma organização mundial, nacional ou regional e pagar honorários para ser considerada Igreja de Deus?

Sim, é preciso estar unido em uma única organização: a Bíblia.

“Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer.” (I Co 1:10)

Na Nova Aliança não encontramos nenhuma outra organização para liderar um grupo de igrejas; este modelo é pagão.

Ter que estar afiliado e pagar honorários a uma organização para ser considerada Igreja de Deus não foi ensinado por Jesus nem por seus apóstolos. Isto é doutrina de Babilônia e não podemos adotar. (Ap 18:2-4)

Os que praticam e pensam de tal forma estão embriagados com o vinho da prostituição (sinal da besta).

Temos que preservar a doutrina que recebemos, que está contida nas Escrituras e foi ensinada por Jesus. (Mt 28:20; II Tm 3:15,16)

No A.T., as 12 tribos pagavam dízimos para os levitas que celebravam as solenidades, e os levitas pagavam o dízimo dos dízimos ao sacerdote. (Nm 18:21,26)

Hoje não há necessidade disso, pois não estamos mais no sacerdócio levítico. (Hb 7:11,12)

Estamos em um novo sacerdócio, o de Jesus, e as leis de ordenanças foram cravadas na cruz. (Ef 2:15; Cl 2:14)

Agora estamos na Nova Aliança; não existe mais uma casa do tesouro centralizada. (Jo 4:19-23)

As palavras de Jesus à samaritana mostram uma descentralização e possuem um sentido de alcance mundial. A Igreja deveria começar em Jerusalém e ir até os confins da terra. (Lc 24:47; At 1:8)

Lembrando que, no ano 70 d.C., Jerusalém foi destruída e todos foram dispersos por quase dois mil anos. Os judeus viveram em terras estranhas. Então, para onde foi a tal central organização geral das igrejas de Deus?

Administração financeira da Igreja

A administração da verdadeira Igreja de Deus (a igreja primitiva), quanto às finanças, deve ser totalmente local. (Fp 4:14-19; I Co 9:7-14)

O ministério deve ser zeloso em manter unanimidade no ensino dos pontos fundamentais bíblicos aprovados em reuniões ministeriais pela maioria dos obreiros.

Analise

O profeta Ágabo profetizou uma grande fome em Jerusalém e, quando aconteceu, foi preciso Paulo fazer uma coleta para os santos da Judeia.

A pergunta é: se o sistema fosse centralizado e existisse uma “casa do tesouro” para governar as igrejas, não haveria necessidade de Paulo fazer apelo a cada igreja; bastaria comunicar à central e tudo estaria resolvido.

Isto mostra que as igrejas não contribuem obrigatoriamente com outra igreja. Podemos contribuir para suprir as necessidades de outras localidades através de ofertas ou coletas voluntárias. (At 11:29,30; Rm 15:26; I Co 16:1-4)

Paulo escreve aos gálatas:

“Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. E não era conhecido de vista das igrejas da Judeia, que estavam em Cristo; mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim.” (Gl 1:18-24)