ENTENDENDO ROMANOS 13
A Bíblia foi escrita para o povo de Deus.
A carta aos convertidos e dispersos em Roma trouxe ensinamentos importantes sobre respeito às autoridades, sem desprezar a ordem social existente.
O Império Romano foi o último grande governo mundial descrito em Daniel. Em muitos aspectos, as leis romanas trouxeram estabilidade ao povo de Deus naquele período.
Foi um tempo considerado de relativa paz, no qual profecias se cumpriram conforme os propósitos de Deus.
Havia certa flexibilidade e respeito entre os governantes romanos e os israelitas.
Porém, no ano 70 d.C., aconteceu a grande dispersão, e o povo de Israel espalhou-se por diversas regiões.
A formação das Escrituras encerrou-se por volta do ano 98 d.C., com o livro de Apocalipse. Depois disso, as perseguições ao povo de Deus tornaram-se constantes. Após a fragmentação de Roma, o poder religioso passou a dominar, trazendo severa perseguição aos servos de Deus.
Romanos 13 e as Autoridades
Romanos 13 relata a necessidade de sujeição às autoridades. O capítulo é interpretado por muitos como referência às autoridades civis; outros entendem que Paulo enfatizava principalmente as autoridades espirituais estabelecidas por Deus na igreja.
“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.”
(Rm 13:1)
As autoridades ordenadas por Deus, segundo as Escrituras, incluem ministros, presbíteros e diáconos colocados para cuidar da igreja (I Co 4:1; 12:28; II Co 3:4-6; Fl 1:1; I Tm 3:1-16).
Desde que Jesus organizou Sua igreja (Mt 16:18), estabeleceu líderes espirituais com responsabilidades e autoridade ministerial (Mt 10:2; Lc 6:13).
Os discípulos receberam autoridade espiritual para anunciar o evangelho e combater as obras do mal (Mc 1:27; Lc 10:17-18).
O Ministério na Igreja
Não há relatos de Jesus ou dos apóstolos instituindo presidentes, governadores, prefeitos, juízes ou autoridades políticas como líderes espirituais da igreja.
O ministério foi estabelecido para:
Ensinar o evangelho e batizar (Mt 28:19-20)
Resolver questões espirituais (At 6:1-7; At 15)
Instituir presbíteros e diáconos (Tt 1:5)
Edificar a igreja sobre os fundamentos bíblicos (Ef 2:20)
As qualificações para o episcopado e demais funções ministeriais estão descritas em I Timóteo 3:1-15.
Já os cargos políticos e públicos são ocupados mediante eleições, concursos ou indicações, sem exigência de fé bíblica ou compromisso espiritual.
Sobre Resistir à Autoridade
“Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.”
(Rm 13:2)
Paulo advertia contra divisões, contendas e rebeliões contra autoridades estabelecidas por Deus para cuidar espiritualmente da igreja (Hb 13:17; I Ts 5:12).
A liderança espiritual deveria governar com justiça, dons espirituais e responsabilidade diante de Deus (I Co 12:8,28; Ef 4:11).
Ananias, Safira e Pedro
Ananias e Safira mentiram diante da igreja e sofreram juízo divino (At 5:1-11).
Pedro, porém, ao negar Jesus diante dos homens, recebeu oportunidade de arrependimento (Jo 18:15-18).
O texto destaca que o juízo de Deus não acontece da mesma forma em todas as situações.
“Magistrados” e “Ministros de Deus”
“Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más.”
(Rm 13:3)
Alguns entendem que Paulo falava das autoridades civis que mantêm a ordem pública. Outros defendem que ele enfatizava os ministros espirituais que discernem o bem e o mal segundo a Palavra de Deus.
“Porque ela é ministro de Deus para teu bem...”
(Rm 13:4)
A espada espiritual do servo de Deus é a Palavra (Ef 6:17; Hb 4:12), que corrige, exorta e ensina.
A luta do cristão não é contra carne e sangue (Ef 6:12).
Tributos, Impostos e Obediência
“Por esta razão também pagais tributos...”
(Rm 13:6)
Paulo ensina que o cristão deve cumprir seus deveres civis, incluindo impostos e respeito às autoridades.
Jesus também declarou:
“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
(Mt 22:21)
Pedro igualmente orientou:
“Sujeitai-vos, pois, a toda autoridade humana por amor do Senhor...”
(I Pd 2:13-14)
Entretanto, quando leis humanas entram em conflito direto com os mandamentos de Deus, os apóstolos afirmaram:
“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”
(At 5:29)
O Cumprimento da Lei é o Amor
“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor...”
(Rm 13:8)
“O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”
(Rm 13:10)
Paulo relaciona os mandamentos de Deus ao amor verdadeiro, que conduz o homem à obediência e à justiça.
Reflexão Final
Romanos 13 ensina respeito, ordem e responsabilidade. O cristão deve viver em paz, obedecer às leis civis quando não contrariem a vontade de Deus e reconhecer a importância das autoridades espirituais na igreja.
Ao mesmo tempo, a Bíblia alerta que o mundo jaz no maligno (I Jo 5:19) e que os servos de Deus devem discernir entre os mandamentos divinos e os sistemas humanos.
“Mas aqueles que são de Deus ouvem a Palavra de Deus.”
(Jo 8:47)
“Tudo isso observei quando dediquei o coração a refletir sobre tudo o que se faz debaixo do sol. Há épocas em que um homem tem domínio sobre outro homem para arruiná-lo.”
(Ec 8:9)
