

AS
SETENTA
SEMANAS DE
DANIEL
Leitura Bíblica: Daniel 9:16-27
OBJETIVO DO ESTUDO
Esclarecer o significado das setenta semanas proféticas de Daniel capítulo 9.
As setenta semanas determinam a vinda do Messias e Seu sacrifício expiatório, que pôs fim ao antigo sistema de expiação pelos pecados mediante sacrifícios de animais. A partir do sacrifício de Cristo, embora os judeus continuassem os serviços do templo, aquele sacerdócio já não possuía o mesmo valor diante de Deus, pois Jesus é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo.
INTRODUÇÃO
A profecia das setenta semanas é uma das mais importantes das Escrituras. Ela aponta para a manifestação do Messias, Seu ministério e Seu sacrifício redentor.
Ao longo dos séculos, diferentes interpretações surgiram acerca dessa profecia. Alguns entendem que as setenta semanas formam um período contínuo e ininterrupto, enquanto outros defendem uma separação entre a sexagésima nona e a septuagésima semana.
Neste estudo examinaremos os principais pontos relacionados à profecia e sua aplicação.
QUESTIONÁRIO
1. É correto tomar o ano 457 a.C. como ponto de partida das setenta semanas? E as 2300 tardes e manhãs podem ser interpretadas como 2300 anos literais iniciando na mesma época?
Segundo Daniel 9:25, as sete semanas e as sessenta e duas semanas são contadas desde a saída da ordem para restaurar e reedificar Jerusalém.
Ao final das sessenta e nove semanas, o Messias é manifestado e, posteriormente, retirado, fazendo cessar o sistema de expiação mediante o sangue de animais.
Quanto às 2300 tardes e manhãs, esta interpretação entende que representam 1150 dias literais e que seu cumprimento ocorreu durante o período final do império grego, conforme Daniel 8:21-23.
Sendo assim, se o cumprimento ocorreu dentro do domínio do império grego, não haveria base para iniciar essa contagem no período medo-persa e estendê-la até o ano de 1844.
Segundo esta linha de interpretação, as profecias de Daniel 8 e Daniel 9 possuem contextos distintos e não devem ser unificadas cronologicamente.
2. Como os reformadores protestantes entendiam a questão do Anticristo?
Diversos reformadores identificavam o sistema papal como o cumprimento das profecias referentes ao Anticristo.
John Wycliffe
“Por que é necessário procurar por outro anticristo? No capítulo 7 de Daniel o anticristo é claramente descrito como um poder que surge durante o quarto reino.”
(Froom, Vol. 2, pág. 55)
Martinho Lutero (1483–1546)
“Nós temos a convicção de que o papado é o lugar do verdadeiro e real anticristo.”
Em outra declaração afirmou:
“Pessoalmente declaro que devo ao papa nada mais que uma obediência ao anticristo.”
Em sua obra O Cativeiro Babilônico da Igreja, referiu-se ao papado como:
“Nada mais que o reino da Babilônia e do verdadeiro anticristo.”
Philipp Melanchthon (1497–1560)
“É mais manifesto e, na verdade, sem qualquer dúvida, que o pontífice romano, com toda a sua ordem e reino, é o verdadeiro anticristo.”
3. Por que os dispensacionalistas acreditam que a septuagésima semana está separada da sexagésima nona semana?
Segundo esta interpretação, a doutrina da vinda de Cristo em duas fases não era amplamente ensinada antes do século XIX.
Posteriormente, alguns teólogos passaram a defender que existiria um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima semana de Daniel.
Esse período seria utilizado para sustentar a ideia de um arrebatamento anterior à Grande Tribulação e de um futuro cumprimento da última semana profética.
4. Que eventos os dispensacionalistas preveem para os sete anos da septuagésima semana?
Segundo N. Lawrence Olson, após o arrebatamento da Igreja surgirá um governante mundial identificado como o Anticristo.
Ele firmará uma aliança de sete anos com Israel.
No meio da semana, após três anos e meio, romperá essa aliança, interromperá o sistema religioso judaico restaurado e colocará a chamada abominação desoladora no lugar santo, conforme Daniel 9:27 e Mateus 24:15.
Essa segunda metade da semana corresponderia à Grande Tribulação, período de 1260 dias literais.
Segundo essa interpretação, os 144 mil de Apocalipse estariam ligados ao remanescente fiel de Israel.
Ao final dos sete anos, as nações se reuniriam contra Jerusalém, sendo então derrotadas por Cristo em Sua volta gloriosa.
(O Plano Divino Através dos Séculos, págs. 125-129)
5. Qual é a interpretação apresentada neste estudo sobre as setenta semanas?
Segundo esta compreensão, as setenta semanas formam um único período profético contínuo de 490 anos.
O período inicia-se em 457 a.C. e segue sem interrupções até o cumprimento da septuagésima semana.
Dessa forma, não haveria base para separar a última semana das sessenta e nove anteriores.
A inserção de um intervalo entre elas é considerada uma adaptação da profecia para ajustá-la ao sistema dispensacionalista.
O argumento apresentado é que, se fosse permitido interromper arbitrariamente a contagem das semanas, seria possível inserir intervalos em qualquer outro ponto da profecia, comprometendo sua coerência cronológica.
Como ilustração, seria semelhante a afirmar que a distância entre dois pontos é de cinquenta quilômetros, mas desligar o marcador durante parte do percurso e ligá-lo novamente próximo ao destino para manter o resultado desejado.
Resumo
As setenta semanas de Daniel constituem uma das mais notáveis profecias messiânicas das Escrituras.
Segundo a interpretação apresentada neste estudo, elas formam um período contínuo de 490 anos que aponta diretamente para a vinda, o ministério e o sacrifício do Messias.
Dessa perspectiva, não existe uma separação entre a sexagésima nona e a septuagésima semana, e a profecia encontra seu cumprimento na obra redentora de Cristo, que encerrou o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento e estabeleceu uma nova e perfeita aliança mediante Seu próprio sangue.
Assim, Jesus Cristo permanece como o centro e o cumprimento das profecias anunciadas pelos profetas.






