Desde a criação, o Senhor tem sido zeloso para com seu povo, estabelecendo leis que lhes são favoráveis e cuidando minuciosamente de sua alimentação.
Como exemplo, vemos que, a partir do dilúvio, foi permitido ao homem comer carne (Gn 9:1-6). Porém, de forma condicional, o consumo do sangue lhe foi terminantemente proibido. Essa lei, instituída muito antes das leis de ordenanças (a Lei Mosaica), foi posteriormente argumentada e regulamentada dentro das leis cerimoniais em Levítico (Lv 17:10-12).
No Novo Testamento, ao contrário do que muitos pensam, vemos que esse mandamento continua em vigor e de forma ainda mais esclarecida. No Concílio de Jerusalém, foi determinado:
"Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá." (Atos 15:29)
Analisando o versículo 28 do mesmo capítulo, fica evidente que foi o próprio Espírito Santo quem estabeleceu essa exigência, e não os homens. Portanto, abster-se de sangue, de carne sufocada e da prostituição é um mandamento perpétuo e plenamente em vigor dentro da Nova Aliança.
A Explicação Biológica e Espiritual: O Sangue e o Fôlego da Vida
Para compreender a profundidade desse mandamento, precisamos entender o que são o oxigênio e o sangue, e quais são suas funções vitais.
O homem foi formado do pó da terra, mas ainda lhe faltava o princípio dinâmico da existência: o fôlego de vida. O fôlego (o oxigênio que respiramos) atua em perfeita sinergia com o espírito. Após o Senhor Deus soprar esse fôlego em suas narinas, o homem tornou-se alma vivente (Gn 2:7). Este fôlego de vida é a força essencial para todo ser vivente tanto para os homens quanto para os animais (Gn 7:21-22; Ec 3:19-21), pois ele mantém em pleno funcionamento todo o organismo.
As ações dos órgãos vitais, como o cérebro e o sistema nervoso central, dependem inteiramente do oxigênio da respiração, tornando-o indispensável para a manutenção da vida. Sem o oxigênio, a vida física é impossível. Ele entra pelas narinas, passa pelos pulmões e é introduzido na corrente sanguínea. O coração, então, bombeia esse sangue rico em oxigênio pelas artérias a fim de distribuí-lo para todo o corpo, alimentando cada célula do organismo humano ou animal.
A Bíblia afirma categoricamente que "a vida da carne está no sangue" (Lv 17:11; Gn 9:4). A ciência confirma isso: o sangue é o veículo do oxigênio. Se não houver circulação sanguínea, as células deixam de ser alimentadas e o ser vivente morre por falta de oxigenação.
A Mecânica da Morte por Sufocamento (Asfixia)
Quando ocorre a morte por asfixia ou parada respiratória (o que a Bíblia chama de "sufocamento"), o processo é claro: o coração para de bater e, automaticamente, o sangue deixa de ser impulsionado pelos vasos circulatórios. Os pulmões colapsam e o oxigênio — o fôlego da vida — não entra mais no organismo. Privados de energia, o cérebro e o sistema nervoso cessam imediatamente todas as suas atividades, os sentidos desaparecem e o homem ou animal morre com o sangue retido em seus tecidos. Como o sangue carrega a vida, ele não deve ser consumido de forma alguma.
Orientação Prática para o Servo de Deus: Como não comer sangue e carne sufocada?
Para cumprir fielmente esse mandamento, os animais destinados ao consumo devem ser degolados de forma que o sangue seja completamente escoado.
O servo de Deus precisa ser prudente e vigilante ao fazer suas compras, pesquisando as origens e os métodos de abate das fontes fornecedoras, uma vez que existem diferentes práticas na indústria alimentícia. As carnes limpas mais consumidas pelos servos de Deus são a bovina, as aves (como frango e peru) e os peixes (desde que possuam escamas e barbatanas, conforme a orientação bíblica).
Pesquisas sobre a indústria de abate atual mostram que:
Bovinos: São submetidos ao atordoamento (insensibilização) antes do abate e, logo em seguida, passam pelo processo de sangria, onde o sangue é retirado.
Aves (Frangos e Perus): Recebem uma descarga elétrica para insensibilização (choque na cuba d'água) e, na sequência, têm os vasos do pescoço cortados para que ocorra a sangria completa.
Conhecer esses processos industriais e certificar-se de que o animal passou por uma sangria adequada (e não por um morte por asfixia ou sufocamento puro) é parte do zelo que o cristão deve manter em obediência à Palavra do Senhor e às diretrizes estabelecidas pelo Espírito Santo.
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