A VINDA DO ANTICRISTO
INTRODUÇÃO
Entre os diversos temas proféticos debatidos no cristianismo, um dos mais discutidos é a identidade do anticristo e a ordem dos acontecimentos relacionados à volta de Cristo.
Uma interpretação bastante difundida atualmente ensina que Jesus voltará secretamente para arrebatar a Igreja antes da manifestação do anticristo. Contudo, segundo a interpretação apresentada neste estudo, as Escrituras mostram uma sequência diferente dos acontecimentos, na qual a apostasia e a manifestação do homem do pecado ocorrem antes da vinda gloriosa de Cristo.
1. A ORDEM DOS ACONTECIMENTOS SEGUNDO PAULO
Ao escrever aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo advertiu os irmãos para que não fossem enganados quanto à proximidade da volta de Cristo.
"Não vos movais facilmente do vosso entendimento." (2 Tessalonicenses 2:2)
Paulo apresenta a seguinte sequência:
A apostasia;
A manifestação do homem do pecado;
A vinda de Cristo e o ajuntamento dos santos.
"Porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado." (2 Tessalonicenses 2:3)
Dessa forma, a reunião dos fiéis com Cristo não ocorreria antes desses eventos.
2. A ORIGEM DA TEORIA DO ARREBATAMENTO SECRETO
Segundo diversos pesquisadores da história da escatologia, a doutrina do arrebatamento secreto ganhou força no século XIX.
Entre os nomes frequentemente citados estão:
Margareth MacDonald (1830);
Edward Irving;
Manuel Lacunza.
A partir desse período, a ideia de uma vinda de Cristo em duas etapas passou a ser amplamente divulgada em vários meios evangélicos.
3. A TEORIA DOS SETE ANOS DE TRIBULAÇÃO
A interpretação futurista das setenta semanas de Daniel ensina que existe um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima semana da profecia.
Segundo essa visão:
As primeiras 69 semanas conduzem até a manifestação do Messias;
O relógio profético é interrompido;
A Igreja é arrebatada;
Inicia-se a última semana de sete anos;
O anticristo governa durante esse período.
Este estudo entende que não existe fundamento bíblico para essa interrupção profética e que as setenta semanas formam um período contínuo.
4. O DISPENSACIONALISMO
O dispensacionalismo divide a história da redenção em diferentes períodos ou dispensações.
São geralmente apresentadas as seguintes dispensações:
Inocência;
Consciência;
Governo Humano;
Promessa;
Lei;
Graça;
Reino.
Segundo esse sistema, a atual era seria a dispensação da Graça.
5. QUEM DETINHA A MANIFESTAÇÃO DO HOMEM DO PECADO?
Paulo afirma que havia algo que impedia a manifestação do homem do pecado.
"E agora vós sabeis o que o detém." (2 Tessalonicenses 2:6)
De acordo com a interpretação histórica adotada neste estudo, esse poder restritor era o Império Romano.
Com o enfraquecimento e posterior queda do Império Romano, abriu-se caminho para o surgimento do poder representado pelo homem do pecado.
Diversos escritores cristãos antigos relacionaram esse texto ao Império Romano.
6. OS 144 MIL E A PREGAÇÃO FINAL
A teoria futurista ensina que, após o arrebatamento, 144 mil judeus se converterão e evangelizarão o mundo durante a grande tribulação.
Entretanto, surge uma questão frequentemente levantada pelos críticos dessa interpretação: se o Espírito Santo tivesse sido retirado da Terra juntamente com a Igreja, como ocorreria a conversão dessas multidões?
Por essa razão, muitos entendem que a passagem dos 144 mil deve ser compreendida de maneira diferente da interpretação dispensacionalista.
7. HAVERÁ UM FUTURO IMPÉRIO MUNDIAL DO ANTICRISTO?
As profecias de Daniel apresentam quatro grandes impérios mundiais simbolizados pela estátua de Daniel 2 e pelos animais de Daniel 7.
Esses reinos são tradicionalmente identificados como:
Babilônia;
Medo-Pérsia;
Grécia;
Roma.
Após esses reinos, Daniel descreve o estabelecimento do Reino de Deus.
"Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído." (Daniel 2:44)
Segundo a interpretação histórica, não existe espaço na profecia para um quinto império mundial humano governado pelo anticristo após Roma. O próximo reino universal seria o Reino eterno de Deus.
Consideraçãoes
O estudo profético exige cautela, oração e fidelidade às Escrituras. Existem diferentes interpretações entre os cristãos sobre o anticristo, a grande tribulação e a volta de Cristo.
A posição apresentada neste estudo sustenta que:
A apostasia ocorre antes da volta de Cristo;
O homem do pecado se manifesta antes do ajuntamento dos santos;
O arrebatamento secreto não era uma crença da igreja apostólica;
O poder restritor mencionado por Paulo era o Império Romano;
O Reino de Deus sucederá os reinos humanos apresentados por Daniel.
Independentemente das diferenças de interpretação, a exortação bíblica permanece a mesma: vigiar, perseverar na fé e aguardar a gloriosa manifestação do Senhor Jesus Cristo.
